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Publicado:01/09/2026


O Brasil espera que voos diretos para Maputo sejam anunciados nas próximas semanas.

Foto: FACIM 2026 Moçambique

As autoridades brasileiras pretendem anunciar oficialmente nas próximas semanas a criação de um voo direto para Maputo, uma medida considerada estratégica para aproximar os dois mercados e fortalecer o papel de Moçambique como elo com a região da África Austral.

 

“As negociações estão em andamento e esperamos que o anúncio oficial aconteça nas próximas semanas”, disse Laudemir Müller, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), à Lusa na Feira Internacional de Maputo (FACIM), que começou na segunda-feira e vai até 5 de setembro.

Embora não tenha fornecido mais detalhes, Müller afirmou que a futura ligação aérea facilitaria as relações comerciais entre os dois países e fortaleceria a posição de Moçambique como porta de entrada para outros mercados da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), num momento em que as empresas brasileiras procuram estabelecer parcerias no país.

“Moçambique tem um mercado importante, um mercado de pessoas jovens e dinâmicas, e oferece um polo para a região”, disse o presidente da ApexBrasil, acrescentando que a ligação aérea direta deve fortalecer esse papel como plataforma regional e facilitar laços mais estreitos entre as empresas brasileiras e os mercados da África Austral.

A ApexBrasil participa da FACIM com empresas, cooperativas e instituições brasileiras dos setores de alimentos, saúde, energia, gás e minerais, buscando ampliar as oportunidades de negócios, parcerias e investimentos entre os dois países. O Brasil é o país homenageado na edição de 2026 da maior feira de negócios de Moçambique, que reúne cerca de 3.000 expositores.

Na área de segurança alimentar, a delegação brasileira apresenta produtos da agricultura familiar, incluindo nozes, bebidas, proteína animal e grãos, e participa em conjunto com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que pretende contribuir para a transferência de conhecimento e a capacitação de técnicos moçambicanos, com foco no desenvolvimento da agricultura familiar.

A área da saúde é outra prioridade, com a participação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e de empresas privadas produtoras de medicamentos e produtos farmacêuticos. Segundo a ApexBrasil, o objetivo é também incentivar a produção local de medicamentos e vacinas, tanto em Moçambique quanto no Brasil.

Energia, gás, transição energética e minerais também foram identificados como setores estratégicos, com a agência brasileira defendendo o desenvolvimento conjunto de tecnologias, o aumento do conteúdo local e a transformação dos recursos minerais em produtos de maior valor agregado.

“O Brasil é o país que apoia. Claro que não é o único, mas queremos ser um país prioritário para Moçambique, porque para o Brasil, Moçambique é uma prioridade em termos de cooperação e parceria”, disse Müller, apontando para outras oportunidades de cooperação em tecnologia, agricultura, saúde, medicamentos, vacinas, gás e outros combustíveis.

A participação brasileira também visa aproximar empresas dos dois países, embora a ApexBrasil ressalte que a conclusão de negócios é de responsabilidade das próprias empresas. Müller afirmou já ter observado reuniões entre empresas brasileiras e potenciais compradores moçambicanos no primeiro dia da feira, mas considerou prematuro avaliar os resultados.

 

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